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PLANTãO REGIONAL

SETE LAGOAS

24, Setembro de 2021

Em nome da religião, Ivson é contra anticoncepcionais para mulheres vulneráveis

Mais uma vez, o vereador Ivson Gomes coloca sua posição religiosa para justificar a postura que vem tendo na Câmara Municipal em propostas que podem beneficiar diretamente públicos específicos. Desta vez de mulheres em situação de vulnerabilidade. 

O ante-projeto de lei 147/2021 foi aprovado na Câmara Municipal e prevê “o direito a receber gratuitamente implantes de contraceptivos reversíveis de longa duração de Etonogestrel”. Mas por que o vereador Ivson votou contra?  Em suas redes sociais, ele afirmou que “nunca escondeu seus princípios e seu ardor pela fé católica, e o projeto explicitamente é a favor da cultura da morte, onde a vida não é valorizada e muito menos plenificada. E isso nos leva a uma questão onde não compreendemos a pessoa humana na sua integralidade e isso inclui o sexo. O mundo moderno tem um sério problema em compreender a postura da Igreja com respeito à contracepção, porque o mundo não sabe qual é a finalidade do sexo.”

Ivson diz saber a finalidade do sexo.  “O sexo, é muito mais do que votos matrimoniais feitos carne. Ele é ainda um reflexo da fecundidade de amor da Santíssima Trindade. “Na Bíblia, a união entre o homem e a mulher tem em vista não só a preservação da espécie, como no caso dos outros animais: na medida em que está chamada a ser imagem e semelhança de Deus, ela expressa, de uma forma física e tangível, o rosto de Deus, que é Amor (cf. 1Jo 4,  .” Compreendemos, portanto, que hoje o sexo é visto como uma busca pelo prazer, um simples momento que não representa a plenitude do amor. Nós temos uma visão muito baixa do que é o sexo e o que ele representa, nesse sentido a Igreja sempre tem elevado o ato sexual e sua finalidade”.

Dentre várias justificativas, o único vereador que votou contra a proposta, e saiu derrotado, argumenta em sua página suas motivações religiosas. Embora o Brasil tenha uma das legislações sobre planejamento familiar mais avançadas da América Latina, o acesso das mulheres a contraceptivos no país é influenciado por correntes religiosas e grupos conservadores. A conclusão está no relatório Barômetro latino-americano sobre o acesso das mulheres aos contraceptivos modernos, que levantou dados sobre direitos reprodutivos no Brasil, México, Colômbia, Argentina e Chile.

“O aborto não é uma questão qualquer, é um crime. Evitar uma gravidez não é um mal absoluto”, afirmou o Papa Francisco em 2016.