Unifemm de Sete Lagoas cancela cursos e revolta alunos
Unifemm de Sete Lagoas cancela cursos e revolta alunos
Alegando dificuldades financeiras, o UNIFEMM (Centro Universitário de Sete Lagoas) cancelou/descontinuou vários cursos para o ano de 2026. A decisão teria sido comunicada aos alunos no fim de dezembro de 2025 e confirmada por pessoas dentro da instituição.
De acordo com informações levantadas junto a alunos e funcionários, os cursos que não terão turmas em 2026 são: Ciências Biológicas, Educação Física, Engenharia Química e as turmas do período matutino de Direito.
Além desses, a universidade também teria alterado a forma de oferta de alguns cursos, mudando-os para modalidades semipresencial ou EAD: Negócios Imobiliários, Engenharia Elétrica, Engenharia Civil e Engenharia de Produção.
Em comunicado oficial publicado em suas redes sociais, o UNIFEMM esclareceu que "o encerramento de alguns cursos decorre do cumprimento de compromissos formalmente assumidos, com o aval do Ministério Público, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Esse termo tem como finalidade a conclusão do processo de reestruturação financeira iniciado em 2019, em razão de uma situação deficitária já existente à época".
A instituição de ensino ressalta ainda que essa medida, "embora difícil, é parte de um planejamento responsável e necessário para assegurar a sustentabilidade institucional e a continuidade das atividades acadêmicas do UNIFEMM, que segue operando com competência, seriedade e qualidade em seus demais cursos."
A nota firma ser compreensível que a decisão tenha causado "insatisfação entre os alunos diretamente impactados. Desde o primeiro momento, contudo, todos foram acolhidos e orientados pelas coordenações de curso e pela instituição, com atenção individualizada e respeito à trajetória acadêmica de cada estudante."
O texto conclui que todos os procedimentos adotados e os que estão em andamento obedecem rigorosamente à legislação vigente e às normas do Ministério da Educação, conforme amparado pelo Decreto 9235/2017, garantindo total regularidade e transparência ao processo. "Reafirmamos nosso compromisso com a comunidade acadêmica, com a excelência do ensino e com a responsabilidade institucional."
Apesar de a publicação no Instagram estar bloqueada para comentários, no Facebook um dos alunos divulgou uma nota de repúdio:
@Jonathan Cruz
"Manifestamos nosso mais profundo repúdio à condução irresponsável e à má administração que resultaram no encerramento de cursos, interrompendo sonhos, projetos de vida e trajetórias acadêmicas de inúmeros estudantes.
A gestão da FEMM e do UNIFEMM justifica tal decisão alegando o cumprimento de compromissos assumidos junto ao Ministério Público, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), vinculado a um processo de reestruturação financeira iniciado em 2019. No entanto, é inaceitável que os efeitos de uma crise administrativa antiga recaiam, mais uma vez, sobre os estudantes, parte mais vulnerável desse processo.
Embora a instituição afirme que a medida seja necessária para garantir sua sustentabilidade, não se pode normalizar o fato de que escolhas administrativas equivocadas tenham como consequência direta a frustração de sonhos, a insegurança acadêmica e o impacto emocional e financeiro na vida dos alunos e de suas famílias.
Ainda que a gestão alegue cumprir a legislação vigente e as normas do Ministério da Educação, conforme o Decreto nº 9.235/2017, é preciso reforçar que legalidade não substitui responsabilidade social, planejamento transparente e respeito efetivo à comunidade acadêmica.
Repudiamos qualquer discurso que minimize os danos causados e reafirmamos que acolhimento posterior não apaga os prejuízos gerados por decisões tardias e mal conduzidas. Exigimos mais transparência, diálogo verdadeiro e responsabilidade com aqueles que confiaram seu futuro à instituição.
Educação não pode ser tratada apenas como número, ajuste financeiro ou estratégia administrativa. Educação é compromisso com vidas, histórias e sonhos que não pode, nem devem, ser interrompidos."
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