[VÍDEO] Crise no transporte alternativo expõe ingerência da Prefeitura de Sete Lagoas na Câmara de Compensação
[VÍDEO] Crise no transporte alternativo expõe ingerência da Prefeitura de Sete Lagoas
A gestão do prefeito Douglas Melo voltou a ser alvo de críticas após uma grave denúncia feita pelo presidente da Cooperseltta (Cooperativa de Transportadores Autônomos de Sete Lagoas), Geraldo Vieira, conhecido como Geraldinho. Em um vídeo divulgado no fim da tarde desta sexta-feira (6), ele fez um desabafo público sobre o que classificou como uma “injustiça” e uma “covardia” contra o transporte alternativo da cidade.
Segundo Geraldinho, a cooperativa transporta diariamente cerca de 15 mil passageiros em Sete Lagoas, prestando um serviço essencial ao lado da empresa responsável pelo transporte convencional. O problema, segundo ele, começou após a Prefeitura instituir por decreto a Câmara de Compensação e a unificação da bilhetagem eletrônica, sistema que concentrou a arrecadação da venda de créditos de passagens nas mãos da empresa concessionária do transporte convencional.
Pelo modelo criado pela administração municipal, essa empresa passou a ser responsável por receber todos os valores das passagens eletrônicas e posteriormente repassar à operadora do transporte alternativo a parte correspondente aos passageiros transportados. No entanto, de acordo com o presidente da Cooperseltta, esse repasse não vem sendo feito regularmente.
“Ela arrecada toda a receita da venda dos créditos e tem que repassar aquilo que é nosso de direito. E isso não tem sido feito já há algum tempo”, afirmou Geraldinho no vídeo.
Dívida milionária e salários atrasados
De acordo com a cooperativa, o valor retido na Câmara de Compensação já ultrapassa R$ 2,3 milhões. O impacto direto dessa situação, segundo o dirigente, atingiu em cheio os trabalhadores do transporte alternativo. No quinto dia útil de março, a cooperativa afirma não ter conseguido pagar os salários dos colaboradores, muitos deles motoristas e profissionais que dependem exclusivamente da atividade para sustentar suas famílias. “São pessoas simples que saem de casa de madrugada, debaixo de chuva, para prestar um serviço essencial. E hoje chegam no dia de receber e infelizmente não receberam”, lamentou Geraldinho.
Decisão judicial ignorada
A cooperativa afirma ainda que, após tentativas de solução administrativa sem sucesso, foi necessário recorrer à Justiça. A Cooperseltta conseguiu uma liminar determinando que os repasses fossem feitos rigorosamente em dia. Mesmo assim, segundo Geraldinho, a decisão judicial não estaria sendo cumprida, o que agrava ainda mais a crise financeira enfrentada pelos transportadores.
Ele também afirma que a situação já é de conhecimento das autoridades municipais, incluindo o prefeito Douglas Melo, o secretário de Trânsito Valdeir Pimenta, vereadores da cidade e até o Ministério Público.
Pressão sobre a Prefeitura e a Câmara
No vídeo, Geraldinho cobra uma postura das autoridades e questiona até quando o transporte alternativo terá de conviver com o que chamou de arbitrariedade. Ele também direcionou críticas ao presidente da Câmara Municipal, Ivan Luiz, e aos demais vereadores, citando inclusive a comissão criada para discutir o transporte público na cidade. “Até quando nós vamos conviver com essa covardia, com essa arbitrariedade, com o perdão da palavra, com essa sacanagem que estão fazendo conosco?”, questionou.
Transporte essencial sob risco
A crise levanta um alerta sobre o futuro do transporte alternativo em Sete Lagoas. Com milhares de passageiros atendidos diariamente e dezenas de trabalhadores dependentes exclusivamente da atividade, o impasse financeiro pode comprometer a continuidade do serviço.
Enquanto a Prefeitura ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações, cresce a pressão para que o governo municipal esclareça o funcionamento da Câmara de Compensação e garanta que os recursos arrecadados no sistema de bilhetagem sejam repassados de forma transparente e dentro da legalidade.
Nos bastidores, a avaliação de integrantes do setor é que o modelo criado pela administração de Douglas Melo acabou concentrando poder excessivo na empresa do transporte convencional, deixando os operadores do transporte alternativo em posição de fragilidade financeira, cenário que agora explode em uma crise pública envolvendo salários atrasados e milhões de reais em disputa.
Nas redes sociais, a população se manifestou, indignada:
@filhomarciliopereira: É meu amigo eu imagino o que você está sentindo nesse momento e Deus toque no coração desse pessoal dessa empresa e eles façam o repasse é muito triste pra todos os trabalhadores da cooperativa 😞😞
@julianocarvalho_33: Trabalhar e não receber é sacanagem, que Deus abençoe vcs
@jeanmarcelportilho: Tem que entrar com a ação, cumprimento de sentença de obrigação de fazer, com multas diárias por descumprimento.
@glauciane_gabriela: é um absurdo tudo isso, uma falta de respeito com todos que dependem do transporte alternativo 😢
@asilva513: Gente eu sou cooperado tmb da Coopersellta e o que esta acontecendo e uma injustiça com todos nós porque estamos transportando passageiros com cartão transcad e nao estamos recebendo o valor que a empresa tem que nos pagar covardia.
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