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Professores denunciam salários atrasados e condições críticas em instituição de ensino de Sete Lagoas

Professora denuncia salários atrasados e condições críticas em instituição de ensino de Sete Lagoas

Funcionários da Escola Unifemm, ligada à Fundação Educacional Monsenhor Messias (FEMM), denunciam uma grave crise interna marcada por atrasos salariais, falta de diálogo com a gestão e condições de trabalho consideradas insustentáveis. O relato, feito sob anonimato por uma profissional da instituição, expõe um cenário de precarização que, segundo ela, afeta dezenas de trabalhadores.

De acordo com a denúncia, os problemas financeiros enfrentados pela instituição já extrapolaram qualquer justificativa plausível. Funcionários afirmam que não recebem integralmente salários há meses (em alguns casos, desde setembro de 2025), apesar de continuarem exercendo suas funções normalmente. “Estamos trabalhando há meses sem receber aquilo que é nosso por direito”, relata a funcionária, que teme represálias e, por isso, optou por não se identificar.

Falta de transparência e ambiente hostil
Segundo o depoimento, tentativas de diálogo com a direção têm sido frustradas. Funcionários relatam que questionamentos sobre pagamentos e condições de trabalho são frequentemente ignorados ou respondidos com frieza. A situação teria gerado um ambiente de esgotamento físico e emocional entre os profissionais. Há relatos de endividamento, problemas de saúde mental e dificuldades para garantir necessidades básicas. “Há colegas sobrevivendo com valores como R$ 300 por mês. Isso não é salário. É humilhação”, afirma.

Contradições e crise de gestão
Outro ponto levantado é a aparente contradição entre a alegada falta de recursos e a utilização da estrutura da instituição para geração de receita. Espaços como ginásio e auditório estariam sendo alugados para eventos, inclusive para órgãos públicos. Ainda assim, segundo os trabalhadores, a justificativa oficial permanece a mesma: não há dinheiro para quitar os salários.

A gestão da fundação também é alvo de críticas. O presidente da FEMM é apontado como ausente, enquanto reuniões são frequentemente canceladas ou não ocorrem. Compromissos assumidos, segundo os relatos, não são cumpridos. Em um episódio citado, a reitora teria respondido a um funcionário insatisfeito: “Se não está satisfeito, é só pedir demissão”.

Sobrecarga e risco de colapso
Com a saída de profissionais, a equipe remanescente enfrenta acúmulo de funções e sobrecarga de trabalho. Há também denúncias de que professores têm arcado com materiais básicos do próprio bolso para manter as atividades com os alunos. “A instituição só continua funcionando porque ainda há profissionais resistindo”, afirma a denunciante.

Apelo por visibilidade
O relato termina com um pedido para que a situação seja tornada pública e chegue ao conhecimento da população de Sete Lagoas e região. Os trabalhadores cobram respeito, dignidade e o pagamento pelos serviços prestados. “Não queremos privilégios. Queremos apenas o mínimo que qualquer trabalhador merece”, conclui.

Até o momento, a direção da escola não se manifestou oficialmente sobre as denúncias. O Plantão Regional 24 Horas segue aberto para ouvir o lado da instituição. Confira a íntegra da denúncia anônima:

Boa tarde,

Por razões de autopreservação, não posso me identificar. Conhecendo a forma como a instituição reage a denúncias e questionamentos, temo represálias que podem comprometer não apenas o meu trabalho, mas a minha própria sobrevivência.

Sou funcionária da Escola Unifemm e escrevo movida pelo desespero. Esta não é apenas a minha história. É a realidade de dezenas de profissionais que, assim como eu, estão no limite físico, emocional e financeiro.

Sabemos que a instituição enfrenta dificuldades financeiras. No entanto, o que vivemos hoje já ultrapassa qualquer justificativa baseada nisso. O que se instaurou foi um cenário de abandono, descaso e profunda falta de respeito com trabalhadores que, diariamente, sustentam o funcionamento da escola.

Quando fomos contratados, fomos informados de que os salários poderiam ser parcelados, mas seriam pagos dentro do próprio mês. Essa promessa jamais foi cumprida. Para se ter dimensão da gravidade da situação: até hoje não recebemos integralmente o salário referente a setembro de 2025. Estamos trabalhando há meses — alguns há anos — sem receber aquilo que é nosso por direito.

Não há diálogo. Não há transparência.
Quando buscamos respostas, encontramos silêncio.
Quando insistimos, somos recebidos com frieza, grosseria ou indiferença.

Estamos exaustos.
Estamos adoecendo.

Há colegas completamente endividados, sobrevivendo de empréstimos e juros abusivos. Há profissionais que, na prática, pagam para trabalhar, arcando do próprio bolso com despesas básicas e sem sequer receber auxílio-transporte. Mães solo não sabem como garantir o sustento de seus filhos. Pais de família estão perdendo suas casas. Pessoas estão sendo esmagadas emocionalmente, vivendo sob ansiedade constante, insônia e medo.

Existem funcionários recebendo valores como R$ 300 por mês.
Isso não é salário. É humilhação.

E, ainda assim, seguimos trabalhando. Seguimos ensinando. Seguimos sustentando uma instituição que, na prática, nos abandonou.

Enquanto isso, vemos os espaços da instituição sendo alugados, eventos sendo realizados e estruturas como o ginásio e o auditório frequentemente ocupadas por terceiros, inclusive órgãos públicos. A estrutura gera receita. No entanto, para nós, a resposta permanece a mesma: “não há dinheiro”.

Como aceitar essa contradição?

O que mais precisa acontecer para que alguém reconheça a gravidade dessa situação?

Em uma reunião, diante do sofrimento exposto por um funcionário, a reitora respondeu: “Se não está satisfeito, é só pedir demissão.”
Essa frase não foi um episódio isolado. Ela sintetiza, com precisão, a forma como somos tratados: como peças substituíveis.

O presidente da FEMM quase nunca comparece à instituição. Quando aparece, não apresenta soluções. Reuniões são marcadas e simplesmente não acontecem. E-mails e mensagens permanecem sem resposta. Até mesmo a procuradora da instituição já foi deixada esperando, literalmente, diante de portas fechadas. Compromissos são assumidos e abandonados com uma frequência que demonstra, no mínimo, descompromisso com a gravidade do que estamos vivendo.

Prometeram resolver a situação em dezembro.
Depois disseram que seria em janeiro.
Depois fevereiro.
Agora março se encerra — e continuamos sem respostas, sem salários e sem dignidade.

As condições de trabalho se deterioram a cada dia. Equipes cada vez menores, sobrecarga constante, falta de professores e acúmulo de funções. Muitos colegas desistem, não por falta de compromisso, mas porque já não suportam mais. E aqueles que permanecem acabam carregando o peso de todos.

Em diversas situações, compramos do próprio bolso materiais básicos para trabalhar: canetas, pincéis, insumos de laboratório. Fazemos isso porque nos importamos com os alunos — porque eles não têm culpa. Mas até quando isso será possível?

A verdade é dura: a instituição só continua funcionando porque ainda há profissionais resistindo.

Sem nós, não há ensino.
Sem nós, não há escola.

Por isso, esta carta é, antes de tudo, um grito por socorro.

Pedimos que essa realidade seja exposta. Que a população de Sete Lagoas e região saiba o que está acontecendo por trás das salas de aula. Que as histórias sejam ouvidas — histórias reais, dolorosas e urgentes.

Pedimos, principalmente, que nossa voz seja ouvida antes da versão oficial da direção. Porque a realidade que vivemos todos os dias dificilmente será apresentada por eles.

E, por favor, protejam a nossa identidade. Precisamos continuar trabalhando para sobreviver, mesmo sendo tratados dessa forma. Sabemos o poder que enfrentamos.

Não queremos privilégios.

Queremos apenas o mínimo que qualquer trabalhador merece:
respeito, dignidade e o pagamento pelo trabalho que realizamos todos os dias.

Até quando isso será ignorado?

Atenciosamente,
Uma profissional exausta, mas que ainda resiste
 

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