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Greve do transporte coletivo de volta a partir desta terça-feira em Sete Lagoas

Greve do transporte coletivo de volta a partir desta terça-feira em Sete Lagoas

Conforme já adiantado pelo Plantão Regional 24 Horas em várias matérias nas últimas semanas, o transporte público de Sete Lagoas deve entrar em estado de greve novamente. A nova data anunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Sete Lagoas e Região (SINTTROSET) é nesta terça-feira, 9 de junho. A paralisação pode atingir até 40% da frota da Turi, concessionária local, atendendo a uma determinação judicial.

A retomada do movimento grevista ocorre após semanas de crescente tensão e o esgotamento das tentativas de diálogo entre as partes. Na última audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a proposta da concessionária foi formalmente rejeitada pelos trabalhadores. A empresa havia oferecido um reajuste linear de 3,9% (equivalente à reposição básica do INPC) tanto para os salários quanto para o vale-alimentação.

A categoria, porém, considerou a oferta insuficiente diante do desgaste diário da classe e exige ganho real, com reajuste acima da inflação e elevação do valor do vale-alimentação para R$ 900,00. Por lei, a Turi segue obrigada a aplicar imediatamente o índice de 3,9%, retroativo a janeiro, mas o repasse não foi suficiente para frear a insatisfação dos colaboradores.

A ameaça de uma nova paralisação do transporte coletivo em Sete Lagoas escancara mais uma vez o cenário de desorganização e falta de articulação da gestão do prefeito Douglas Melo diante de um dos serviços mais essenciais para a população de Sete Lagoas.

Segundo o sindicato, os 30 dias concedidos pela Justiça para negociação entre trabalhadores, empresa e Prefeitura não resultaram em qualquer avanço concreto. A entidade afirmou que o processo foi marcado pela “falta de compromisso e postura adequada por parte dos responsáveis”.

Nos bastidores, a avaliação de trabalhadores é de que o Executivo municipal falhou em conduzir as negociações e permitiu que a crise se agravasse. Enquanto motoristas, cobradores e usuários aguardavam uma solução, reuniões aconteceram sem resultados efetivos.

Crise anunciada
O problema no transporte público municipal não começou agora. A greve original teve início em 22 de abril, após o fracasso das negociações salariais iniciadas ainda em janeiro. Durante três dias, Sete Lagoas enfrentou transtornos, atrasos e dificuldades de deslocamento, afetando principalmente trabalhadores e estudantes que dependem exclusivamente dos ônibus.

Na ocasião, a Prefeitura correu para judicializar o conflito e conseguiu uma liminar obrigando a empresa a instaurar o dissídio coletivo. O movimento chegou a gerar expectativa de solução após uma primeira reunião considerada “positiva” pelo sindicato. Entre as promessas discutidas estava a possibilidade de o subsídio planejado pelo município ser direcionado aos funcionários da Turi. Mais de um mês depois, porém, nenhuma solução definitiva apareceu.

Intervenção parcial aumentou desgaste
Em meio à tensão trabalhista, a própria Prefeitura anunciou uma intervenção parcial administrativa na Câmara de Compensação Tarifária (CCT), estrutura gerida pela Turi. A medida foi tomada após relatório da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana apontar indícios de irregularidades e descumprimento contratual.

A decisão expôs ainda mais o desgaste da relação entre município e concessionária e levantou questionamentos sobre a fiscalização exercida pela administração municipal durante a atual administração, demonstrando claramente falta de planejamento e incapacidade de antecipar problemas que vinham sendo denunciados há meses por trabalhadores e usuários do sistema.

Enquanto Prefeitura, empresa e sindicato seguem sem consenso, quem paga a conta continua sendo a população de Sete Lagoas, que convive diariamente com ônibus lotados, atrasos, reclamações sobre a qualidade do serviço e agora a ameaça concreta de uma nova paralisação total do transporte coletivo. 
 

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