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Prefeito Douglas Melo quer que Câmara aprove mais um empréstimo milionário para pagar dívida da Turi

Prefeito Douglas Melo quer que Câmara aprove mais um empréstimo milionário para pagar dívida da Turi

Em mais um lance polêmico que desafia a lógica da responsabilidade fiscal, o prefeito Douglas Melo convocou uma reunião às pressas na tarde desta quinta-feira (18) com vereadores de sua base aliada. O objetivo? Costurar a aprovação de uma linha de crédito de aproximadamente R$ 2,5 milhões. Qualquer pedido de empréstimo do Executivo precisa, obrigatoriamente, do aval da Câmara Municipal. As informações são de Leandro Andrade, do portal LA News.

O pretexto é nobre: pagar os salários atrasados dos funcionários da Turi para evitar mais um colapso no transporte público. Porém, o meio escolhido abre um precedente perigoso e de legalidade altamente questionável. A grande interrogação que ecoa nos corredores do Legislativo e da cidade é simples: por que o Município está assumindo uma dívida que pertence a uma empresa privada?

Ainda que a Prefeitura tenha intervindo recentemente no serviço de transporte, a Turi continua sendo uma concessionária particular e qualquer dívida assumida antes da intervenção seria de responsabilidade da empresa. Utilizar recursos públicos, ainda mais endividando o município, para sanar o passivo trabalhista de um ente privado desvirtuaria a própria natureza da administração pública. O dinheiro do contribuinte deve financiar o socorro a empresas ou a melhoria dos serviços?

Histórico de Falta de Transparência
Esta não é a primeira vez que a atual gestão tenta empurrar pacotes de endividamento goela abaixo da população. O apetite do Executivo por empréstimos contrasta drasticamente com a saúde financeira da cidade, que ostenta um orçamento anual robusto de mais de R$ 1,7 bilhão.

Vale lembrar que o orçamento anual do município é de mais de R$ 1,7 bilhão e que em abril deste ano o prefeito já havia tentado aprovar empréstimos de quase R$ 500 milhões na Câmara. Porém, o juiz Tiago Ferreira Barbosa, da 2ª Vara de Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Sete Lagoas, concedeu mandado de segurança que suspendeu a tramitação e votação dos projetos de lei que versavam sobre os empréstimos. Na ocasião, a Prefeitura não conseguiu detalhar como o dinheiro seria gasto.

A tentativa de aprovar R$ 2,5 milhões para pagar uma dívida que não é originalmente do município repete o mesmo modus operandi de abril: despreparo, articulação de bastidores com a base governista e ausência de uma justificativa jurídica sólida.

Câmara Municipal
A responsabilidade agora está com os Vereadores, que mesmo sendo da base, devem questionar se votar a favor dessa matéria não significaria assinar um cheque em branco que flerta com a improbidade administrativa. Se a intervenção na Turi foi mal planejada a ponto de exigir que o município pague as contas atrasadas da empresa, quem vai arcar com o prejuízo final? Quais outras dívidas a empresa possui, inclusive com fornecedores, que também podem recair sobre a Prefeitura? 

Uma coisa é certa: o bolso do cidadão de Sete Lagoas não pode continuar sendo o fiador de uma gestão amadora. Enquanto isso, a população fica sem saber se o ônibus do seu bairro vai passar amanhã e em qual horário, reduzindo consideravelmente a dependência desse meio de transporte e, consequentemente, a arrecadação do serviço.
 

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